encontrei o cara
cabisbaixo, acho,
tinha acabado
de cair de um astro.
não trazia
o peito aberto,
nada de alma
em riste,
encontrei o cara
e estava na cara,
ele estava triste.
fazia frio
na Paulista,
e o cara dizia:
- me dói o baço
e a vista,
que vazio agudo,
ando meio cheio
de tudo -
falei – não desista,
siga outra pista,
Copacabana, acho,
é bem mais bacana
para a vista
e para o baço.
vem, poeta,
dá aqui um abraço!
vamos por aí,
a pau e a pique,
num piquenique
pelo espaço -.
vamos de metrô,
ou de táxi;
estou quase sem grana
mas te pago
uns conhaques.
vamos voar
pelas estrelas...
Olinda, que tal,
vermos o mar
do Catatau,
a folia nas ladeiras,
o carnaval!
- não, não, o poeta
agradece, pois nada mais
o apetece, que não seja
poesia em forma de prece.
[depois duns uísques,
sobre um sonho que tive
com o “polaco loco paca”,
o papa Paulus I,
o cachorrolouco, Leminski.]
hoje, 7 de junho de 2009 faz vinte anos que a poesia perdeu um ícone; de seus revolucionários, o mais combatente, um Che! Leminski parou há vinte anos, mas a sua poesia segue contemporânea; um passo à frente, e a cada poema seu que leio, lamento não mais o termos por aqui... fico com a certeza de reencontros futuros, já que “essa vida é uma viagem / pena eu estar / só de passagem. valeu, polaco!